ALCORN — Exploração de Efeitos Específicos de Acção com Desfasamentos Espaciais Perceptivos: O ‘Efeito Pong’ modula o Momento Representational?

Resumo:

A existência de ‘efeitos específicos de acção’, ou seja, um efeito das capacidades de acção, intenções ou dificuldade em realizar uma determinada acção na percepção, têm sido amplamente debatidos. Ainda que os defensores afirmem que os ‘efeitos específicos de acção’ reflectem fenómenos perceptivos, os críticos apontam que alguns dos resultados favoráveis podem, na realidade, ser explicados por especificidades das tarefas experimentais, que levam os participantes a enviesar as suas respostas, denunciando um papel de factores de juízo, não perceptivos. Um desses ‘efeitos específicos de acção’ é o ‘Efeito Pong’: A velocidade percebida de uma bola num jogo de Pong é aumentada quando os observadores controlam uma raquete menor para interceptar a bola, alegadamente devido a uma maior dificuldade na acção. Em contraste com outros ‘efeitos específicos de acção’, o ‘Efeito Pong’ mostrou-se resistente a várias manipulações experimentais. No entanto, raramente esse foi testado com tarefas que envolvam uma medida implícita da velocidade percebida, ao invés de juízos explícitos, o que apoiaria a sua robustez e, consequentemente, forneceria suporte para a natureza perceptiva dos ‘efeitos específicos de acção’. O presente projecto de investigação tem como objectivo verificar se o ‘Efeito Pong’ se manifesta num fenómeno que se sabe ser sensível à velocidade percebida – o Momento Representacional (MR). MR refere-se a um viés para diante, na direcção do movimento, da posição percebida onde um alvo em movimento desaparece, quando os observadores devem indicar essa localização. Sabe-se que a magnitude do MR aumenta para alvos mais rápidos, transversalmente a vários paradigmas – localização espacial com um rato, juízos de sonda (onde os observadores indicam se uma sonda se encontra ou não na mesma posição onde o alvo desapareceu) e ao apontar directamente para o local de desaparecimento do alvo. Nesse sentido, este projecto visa testar a seguinte hipótese – um MR maior deverá emergir para alvos em movimento numa versão jogo Pong quando os observadores controlam uma raquete menor. A descoberta de resultados empíricos favoráveis a essa hipótese indicaria que (a) o ‘Efeito Pong’ reflecte um ‘efeito específico de acção’, e não apenas um fenómeno de juízo, e (b) que o MR, tido como relevante para a eficácia de intersecções motoras, é permeável a ‘efeitos específicos de acção’. Por outro lado, resultados contrários a essa hipótese principal implicariam que (a), (b) ou ambos são injustificados, requerendo uma revisão das teorias actuais sobre ‘efeitos específicos da acção’ e MR. O plano de investigação foi, portanto, projectado para testar sistematicamente a hipótese principal numa série de estudos inter-relacionados, com a persecução de alguns dependente dos resultados dos anteriores. O Estudo 1 tem como objectivo estabelecer se o MR é aumentado para um alvo, num contexto similar ao jogo Pong, quando os participantes têm controlo sobre uma raquete menor, em conformidade com ‘efeitos específicos da acção’. O Estudo 2, a ser conduzido caso um efeito nulo seja encontrado no Estudo 1, averigua se o ‘Efeito Pong’ modula o MR quando esse é medido com outros paradigmas, conhecidos por serem mais sensíveis a factores de alto nível (método da sonda) ou mais dependentes de processos sensoriomotores (localização motora directa). O Estudo 3, caso sejam encontradas evidências favoráveis à hipótese principal no Estudos 1, irá verificar se a modulação da magnitude do MR pelo tamanho das raquetes depende de os participantes terem controlo activo sobre essas, recorrendo a um desenho experimental com emparelhamento. Finalmente, o Estudo 4 investigará se o ‘Efeito Pong’ amplia o MR para alvos que se movam a maiores velocidades, como deveria ser o caso se os ‘efeitos específicos da acção’ forem de natureza perceptiva. Se, por outro lado, o ‘Efeito Pong’ se mostrar independente do efeito da velocidade dos alvos no MR (como indicado por uma interacção nula), isso constituiria evidência de um envolvimento de factores atencionais, não puramente perceptivos – controlar uma raquete menor, com consequente aumento da dificuldade da tarefa, aumentaria a carga atencional o que, por sua vez, levaria a um maior MR, independentemente da velocidade do alvo. Tomados no seu conjunto, os estudos experimentais planeados oferecem a possibilidade de testar a robustez do ‘Efeito Pong’ e, consequentemente, a plausibilidade dos ‘efeitos específicos da acção’. Os resultados constituirão evidência favorável à proposta de que a percepção codifica estímulos em termos de contingências de acção – caso resultados positivos sejam encontrados nos estudos 1, 3 e 4 – ou contribuirão para a literatura crítica – caso resultados negativos sejam encontrados nos estudos 1, 2 e 4. O presente projecto oferece, portanto, o potencial de contribuir para o esclarecimento da natureza da percepção bem como a sua inter-relação com capacidades de acção.

Financiamento

Fundação para a Ciência e Tecnologia – FCT; nº 2024.16483.PEX (€49 175,73).

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